Plástico nas artérias: o que a ciência acabou de descobrir sobre o coração
Sabemos que a poluição plástica afeta os oceanos e o meio ambiente, mas um estudo publicado no prestigiado The New England Journal of Medicine revelou um impacto direto dentro do corpo humano: pedaços microscópicos de plástico foram encontrados dentro de artérias entupidas, associados a um risco maior de infarto e AVC.
O que são micro e nanoplásticos? São partículas minúsculas resultantes da quebra e degradação de embalagens, garrafas e tecidos sintéticos. Por serem tão pequenas, entram no organismo pela respiração, ingestão de água e alimentos, caindo na circulação sanguínea.
O que os pesquisadores fizeram?
· Analisaram placas de gordura retiradas cirurgicamente da carótida (a artéria do pescoço que leva sangue ao cérebro) de centenas de pacientes.
· Usaram equipamentos de alta precisão para checar se havia fragmentos plásticos alojados nessas placas.
· Acompanharam a saúde desses pacientes por quase 3 anos (34 meses).
O que o estudo descobriu?
· Presença confirmada: Mais da metade dos pacientes examinados tinha partículas de plástico (como polietileno e PVC) incrustadas na gordura das artérias.
· Mais inflamação: As placas com plástico apresentavam níveis significativamente maiores de marcadores inflamatórios.
· Maior risco cardiovascular: Pessoas com microplásticos detectados nas artérias tiveram um risco maior de sofrer infarto, AVC ou morte por qualquer causa durante o acompanhamento, em comparação àquelas sem plásticos detectáveis.
O estudo demonstra uma associação importante, sugerindo que esses resíduos invisíveis não apenas se acumulam no organismo, mas podem agir como irritantes contínuos, aumentando a inflamação nas artérias e tornando as placas de gordura mais instáveis e perigosas.